Aurora
- 11 de dez. de 2017
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Numa aurora lua-sol, o beijo e a cumplicidade se mostram em dose dupla, nós aqui em baixo e o resto acima. No princípio da luz, formou-se aquele rosto, cegou por um instante, mas mesmo sem ver nada, era tão claro. Quando me aproximei, senti um fedor de rosas, não quaisquer rosas, a minha única e especial Rosa, que fazia-me delirar palavras, juras de amor, que não são eternas, mas ternas. Dentre os lençóis, numa tentativa desesperada de me enrolar e agarrar nos encaracolados do meu amado, falhei. Acordei-o. Lentamente seus olhos se abriam com a mesma calma com que se curvaram noite passada, mas agora com um tom de dúvida. Nunca uma dúvida foi tão óbvia, era paixão, aquela de uma única noite, a noite passada. Só nós dois, juntos, entrelaçados como alma e corpo, entregue ao ardente sentimento fugaz que dura pouco, mas essa breve chama é o suficiente para incendiar quem chegasse perto do fogo do nosso momento apaixonado. Com o repouso do sol pelas beiras da janela, ouviu-se o anúncio de que o que tínhamos acabou, pelo menos por agora, mas na memória há de perdurar até que se acalme os delírios de um coração entregue a um único alguém.



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